O Cefet Campos acerta quando toma a iniciativa, de questionar os critérios, da maior empresa brasileira, que é pública e, portanto, do estado – seu maior acionista – quando a mesma define o perfil de formação, para preenchimento dos cargos especificados em seu edital de seleção ainda em vigor. A decisão do Cefet não se trata de proteção a grupos ou, mesmo de interferências em decisões que poderiam ser consideradas de competência exclusiva da empresa.
•Concurso como melhor forma de ingresso
O concurso como forma de ingresso, já garante à empresa a escolha dos melhores profissionais disponíveis no “mercado de trabalho” a serem testados, numa avaliação de desempenho, inicialmente exigida através de numa prova escrita. Sendo assim, não há porque ser restritivo na definição da formação profissional dos selecionados, se estes mostram desempenho superior nas provas exigidas.
•Tecnólogos com registros profissionais no Crea
Segundo, porque os profissionais em questão, são os graduados em cursos superiores de tecnologia reconhecidos pelo MEC e com registros da profissão no Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura (CREA). A empresa ao ser restritiva ela infringe a nossa Constituição, ao mesmo tempo, que perde a chance de selecionar seus futuros empregados num universo maior de profissionais.
•Contradição entre rejeitar e precisar de mão-de-obra qualificada
Em outra ponta, a Petrobras, mostra à sociedade a contradição entre a afirmação que repetidamente faz à opinião pública de escassez de mão-de-obra para atender aos seus atuais e futuros projetos dentro da cadeia produtiva do petróleo e do gás. Aliás, a empresa está investindo este ano milhões de reais junto da ANP (Agência Reguladora de Petróleo) para apoio ao projeto de formação de mão-obra conhecido como Prominp (Programa de Mobilização da Indústria Nacional de Petróleo e Gás Natural) instituído pelo governo federal, mas com apoio da sua principal empresa estatal. Portanto, uma incoerência apoiar a formação e restringir mão-de-obra já formada.
•Técnicos como gerentes de plataformas
Para ampliar a contradição, basta ver, que na prática, tem sido cada vez mais usual a empresa utilizar-se de técnicos como gerentes de produção de plataformas em nossa bacia de Campos, cargos que também são desempenhados por outros profissionais formados em diversas áreas, mas com atributos reconhecidos para o desempenho da função. Imagine a complexidade deste tipo de gestão de uma unidade instalada no mar, a cerca de pelo menos cem quilômetros de distância, com alto grau de complexidade tecnológica e de gestão de pessoas em ambiente confinado exercido numa unidade de produção com custo avaliado em seguro de aproximadamente um bilhão de dólares.
•Sem espaços para corporativismos
Sendo assim, não há porque impedir que tecnólogos, que possuem graduação de nível superior, possam ter acesso ao quadro da empresa ajudando-a assim, a ampliar a qualidade dos serviços que presta à economia e de uma forma mais geral à sociedade brasileira. Na verdade, trata-se de uma questão de inteligência e de visão moderna, onde se deveria reconhecer que a capacidade profissional e o conhecimento estão mais ligados ao exercício das funções do que, a brigas corporativas por espaços sem maiores argumentações.
Lógico, que o aqui se defende, não fere a necessidade de garantir à sociedade brasileira que o desempenho de qualquer que seja o profissional deva atender, a formações e responsabilidades que não traga riscos ao cidadão, nem às empresas e muito menos à sociedade como um todo. A Petrobras é a quase que a única empresa que hoje ainda cria este tipo de restrição em nosso país e desta forma, pelo seu poder refletido na sua extensa área de atuação, acaba por ser paradigma indesejável, para outros setores e empresas em diversas áreas de produção de nosso país.
•Hoje já existem mais de 3.500 cursos de graduação em tecnologia no Brasil
Segundo o coordenador geral de Desenvolvimento e Modernização da Secretaria de Educação profissional e Tecnológica do Ministério da Educação Paulo Wollinger, que ontem ministrou palestra e participou de uma mesa-redonda no Cefet Campos, que contou também com a participação deste blogueiro, já existem hoje no Brasil mais de 3.500 cursos habilitados a formar profissionais em graduação tecnológica em nosso país. Este tipo de formação existe em todos os países mais desenvolvidos no mundo.
Num mundo onde a reestruturação produtiva é crescente e as novas tecnologias de há muito já extrapolaram o muro das indústrias e chegou, ao comércio e à área dos serviços, o nosso país precisa avançar para que o desenvolvimento econômico possa colocar o país, num nível competitivo, entre as nações mais desenvolvidas. Ou fazemos isto, ou exportamos prioritariamente bens primários como o minério.
•O tecnólogo é hoje uma das importantes alternativas de profissionalização
Ao avançar nesta direção, cada vez mais o nível operacional das empresas exigem uma formação técnica, que antes era desempenhada por um profissional formado na prática com pouca escolaridade. Sendo assim, o nível de supervisão e gestão passa, cada vez mais, a ser desempenhado por um profissional de nível superior, onde se situa o graduado em tecnologia, ou pelas profissões já reconhecidas em qualquer parte do mundo. A qualidade e o perfil do formado é que pode permitir a empresa uma seleção de recursos humanos mais adequada aos seus desafios.
PS.: Oportuno lembrar que pela nova LDB (Lei de Diretrizes e Bases) da Educação o Brasil possui três diferentes tipos de graduação em nível superior (desculpe a redundância, porque graduação já subentende neste nível de ensino):
1) Bacharelado (ex: advogados, engenheiros, médicos, biólogos, etc.);
2) Licenciatura – Formação de Professores;
3) Graduação Tecnológica.
Fonte: http://robertomoraes.blogspot.com/2007/05/concurso-da-petrobras-o-cefet-e-as.html